segunda-feira, 12 de abril de 2010
Rostos e olhares
Sempre fascinei-me por rostos. Óbvio que olho mais para os mais bonitos, mas atento-me também à expressão que pode neles desempenhar-se, e esta, até mesmo nos mais feios. Não requer idade, não é criteriosa, nem sequer humanidade. A feição é universal, útil aos enamorados, à família escolhida ou não, a quaisquer conjuntos de relações humanas que o leitor julgar relevante (espero que todas). A utilidade consiste em seu desvendar, em sua eficaz compreensão e deciframento. Pode não ser tão fácil como as vezes possa parecer, e digo que, em alguns casos, trata-se de um quebra-cabeças e tanto. As mulheres estão aí e não me deixam mentir. O esforço do decifrador de feições deve concentrar-se nos olhos. É batido, sim, mas o olhar diz muito, e, quando dois cruzam-se, é para não deixar dúvidas. Tem alguma coisa ali. Algo de novo, de antigo, de futuro ou remanescência, isso no jogo do flerte, ou de tristeza compartilhada ou compaixão, nos casos de tragédia. Ou de felicidade conjunta, de orgulho mútuo por objetivo alcançado, de paixão vazada e de ódio recíproco, pra se dizer dos mais fortes. A esta altura do campenonato nota-se que meu esforço por não repetir os vocábulos denota algo comum a todos eles. Algo que revela laços entre as pessoas, e que, muitas das vezes, pode significar, para o bom olheiro (e bem-intencionado), muito mais do que palavras (parece que fugi do título que inicialmente escolhi para esta conversa, deixe-me adaptá-lo). Mas rostos são belos, em sua essência, mais belos quando bem-cuidados, e sorrateiramente atingem a perfeição quando o amor adentra a relação (sim, aquele romântico mesmo).
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